Thursday, February 17, 2005

E qual é a esperança?

Salomão Schvartzman, no seu programa "Diário da Manhã" de ontem (16/02/2005), na rádio Cultura FM:

"O Brasil parece ver uma época de trevas [...] em que a exaltação da mediocridade, a celebração da vulgaridade, a louvação da inabilidade vem atingindo tal nível que mais dia, menos dia talvez sejamos forçados a ver solenidades oficiais em que autoridades entregarão medalhas com inscrição 'Honra ao Demérito' [...] O fenômeno é geral e parece ter se enfronhado de tal forma em nossa cultura que qualquer um que se atreva a enfrentá-lo com as armas da racionalidade passa a ser rotulado de elitista ou de preconceituoso e de outros adjetivos menos educados que o PT costuma premiar. Se algum aluno de português, caso a educação fosse levada a sério, escrevesse ou pronunciasse 'A democracia é um gesto democrático feito pela boca daqueles que não têm paciência de ouvir a verdade', além de ouvir uma séria admoestação do professor, ainda seria motivo de chacotas, talvez pelo resto da vida pela irreverência dos colegas, mas quem pronunciou essa preciosidade camoniana foi o nosso excelentíssimo presidente, homem humilde, do povo, e portanto imune à gramática, que no início da vida não teve condições, mas que depois não quis mesmo aprender pois teve todas as oportunidades até por mérito próprio para isso. Mas quem diz isso? Um elitista, um preconceituoso? Não, um brasileiro."

Somado a essa excelente texte do Salomão, não deixe de ler a revista "Veja" com a capa das orelhas de burro. Ontem à noite tive a oportunidade de lê-la no SESC e foi realmente muito importante ter tido contato com aquela sumarização das medidas, algumas até socialistas, que o governo vem tomando ("você tem a propriedade, mas o controle é nosso"). E ainda, da mesma reportagem, a frase que diz que o governo forte que é capaz de dar ao cidadão tudo o que ele "precisa" (aspas minhas) tem a mesma força para tirar tudo o que ele possue.

Além de tudo, temos a MP 232, que, sei lá, talvez tenha como justificativa o fato de ser uma medida para tentar diminuir a diferença entre o que uma pessoa física e uma pessoa jurídica pagam de impostos... logo, uma medida completamente social e moralmente correta contra todos os empresários que ganham rios de dinheiros (e olhe, são realmente todos!). Se esse fato é verdadeiro, por que qualquer pessoa não junta alguns reais (não muito, só o necessário), vai a um contador, abre a sua própria firma e começa a usufruir dessa fórmula mágica de transformar um papel que tem escrito alguns números intitulados de CNPJ em dinheiro? Já sei, é moralmente incorreto, por isso não o fazem. Só por isso.
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